Desde pequenos, ouvimos muitas estórias sobre como viver pelas regras do certo e do errado e muito pouco sobre como viver bem. Aprendemos desde cedo a ter medo se nos comportarmos mal, porque algum ente misterioso ou castigo virá nos perseguir. E ficamos com pânico de não sermos os escolhidos de "ser felizes para sempre". Infelizmente, medo e culpa impregnam na pele e são muito contagiosos e difíceis de se livrar. As mulheres querem ser a princesa escolhida pelo príncipe e os homens querem ser o príncipe, não importando o significado que isso possa ter hoje em dia. Ambos querem casar com quem possa lhes dar poder ou torná-los famosos.
Ninguém nunca pensou no que aconteceu com as outras moças do baile, que não eram a Cinderela? E com os rapazes, coitados, já que só sendo príncipe se tem a fórmula de ser feliz para sempre? Esqueceram de nos contar que há muitos príncipes e princesas felizes sempre que for possível e não porque nos comportamos bem ou mal. Se conseguirmos nos olhar como príncipes e princesas de nossas vidas e nos escolher como merecedores da nossa aprovação e não daqueles que os outros disseram que é importante, então há muitos bailes nesta vida e muitas maneiras de se viver. Sempre nos disseram quando crianças, que "quando casas sara!", sara o que? Simplesmente é o começo de uma das etapas da enorme complexidade que é o ser humano. Se encararmos como a solução dos nossos problemas, estamos encrencados! Nunca paramos de ter dúvidas, desafios, incertezas e podemos ser felizes apesar disso! Ou graças a isso!
"Se tu te comportares mal, Deus castiga." É uma frase muito ouvida, uma injeção de culpa na veia, porque quem diz isso julga e condena o outro; até porque há controvérsias sobre o que Deus pensa. Além disso, quando dita por um adulto a uma criança, o adulto fica sempre sendo o bom e a criança o ruim. Esta fica esperando o tal castigo que pode ser interpretado como qualquer coisa: alguém que se machuca, uma nota ruim na escola, uma frustração que, com certeza, irá acontecer, então, está confirmado o ditado. Portanto a cultura do medo se espalha e a crença no julgamento e não no entendimento de que já inúmeros fatores que nos afetam e são alheios aos nossos desejos, pensamentos ou atos nos deixa presos. Talvez por isso se goste tanto de novelas ou filmes com final previsível e feliz, porque lá o mocinho sempre ganha.
Nora Thormann - Psiquiatra
Ninguém nunca pensou no que aconteceu com as outras moças do baile, que não eram a Cinderela? E com os rapazes, coitados, já que só sendo príncipe se tem a fórmula de ser feliz para sempre? Esqueceram de nos contar que há muitos príncipes e princesas felizes sempre que for possível e não porque nos comportamos bem ou mal. Se conseguirmos nos olhar como príncipes e princesas de nossas vidas e nos escolher como merecedores da nossa aprovação e não daqueles que os outros disseram que é importante, então há muitos bailes nesta vida e muitas maneiras de se viver. Sempre nos disseram quando crianças, que "quando casas sara!", sara o que? Simplesmente é o começo de uma das etapas da enorme complexidade que é o ser humano. Se encararmos como a solução dos nossos problemas, estamos encrencados! Nunca paramos de ter dúvidas, desafios, incertezas e podemos ser felizes apesar disso! Ou graças a isso!
"Se tu te comportares mal, Deus castiga." É uma frase muito ouvida, uma injeção de culpa na veia, porque quem diz isso julga e condena o outro; até porque há controvérsias sobre o que Deus pensa. Além disso, quando dita por um adulto a uma criança, o adulto fica sempre sendo o bom e a criança o ruim. Esta fica esperando o tal castigo que pode ser interpretado como qualquer coisa: alguém que se machuca, uma nota ruim na escola, uma frustração que, com certeza, irá acontecer, então, está confirmado o ditado. Portanto a cultura do medo se espalha e a crença no julgamento e não no entendimento de que já inúmeros fatores que nos afetam e são alheios aos nossos desejos, pensamentos ou atos nos deixa presos. Talvez por isso se goste tanto de novelas ou filmes com final previsível e feliz, porque lá o mocinho sempre ganha.
Nora Thormann - Psiquiatra
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