25 de nov. de 2008

Papai... quanto me amas?

No dia que nasceu nossa filha, meu marido, não sentiu grande alegria. Por que a decepção que sentia parecia, ser maior do que o grande conhecimento de ter uma filha.
- Ah! Eu queria um filho homem! Lamentava meu marido.
Em poucos meses ele se deixou cativar pelo sorriso de nossa linda Carmenzita e pela infinita inocência de seu olhar fixo e penetrante, foi então que ele começou a amá-la com loucura.
Sua carinha, seu sorriso não se apartavam mais dele. Ele fazia planos sobre planos, tudo seria para nossa Carmenzita.
Numa tarde estávamos reunidos em familia, quando Carmenzita perguntou a seu papai:
- Papi, quando eu completar quinze anos, qual será meu presente?
Ele lhe respondeu:
- Meu amor, você tem apenas sete aninhos, não lhe parece que falta muito tempo para essa data?
Respondeu Carmenzita:
- Bem papi, tu sempre diz que o tempo passa voando, ainda que eu nunca haja visto por aqui.
Carmenzita já tinha quatorze anos e ocupava toda a alegria da casa, especialmente o coração de seu papi.
Num domingo fomos a igreja, Carmenzita tropeçou, seu papi de imediato agarrou-a para que não caisse... Já sentados nos bancos da igreja, vimos como Carmenzita foi caindo lentamente e quase perdeu a consciência.
Seu papi agarrou-a e levou imediatamente para o hospital. Ali permaneceu por dez dias e foi então quando lhe informaram que Carmenzita padecia uma grave enfermidade que afetava seriamente seu coração.
Os dias foram passando, seu papi renunciou a seu trabalho para dedicar-se a Carmenzita. Todavia, eu, sua mãe, decidi trabalhar, pois não suportava ver Carmenzita sofrendo tanto.
Numa manhã, ainda na cama, Carmenzita perguntou a seu papi:
- Papi? Os médicos te disseram que eu vou morrer?
Respondeu seu papi.
- Não meu amor... não vais morrer, Deus que é tão grande, não permitiria que eu perca o que mais tenho amado neste mundo.
Perguntou Carmenzita:
- Quando a gente morre vai para algum lugar? Podem ver lá de cima sua família? Sabes se um dia podem voltar?
- Bem filha, na verdade ninguém regressou de lá e contou algo sobre isso, porém se eu morrer, não te deixarei só, onde eu estiver buscarei uma maneira de me comunicar contigo, e em última instância utilizaria o vento para te ver.
- O vento? E como você faria?
- Não tenho a menor idéia filhinha, só sei que se algum dia eu morrer, sentirás que estou contigo, quando um suave vento roçar teu rosto e uma brisa fresca beijar tua face.
Nesse mesmo dia à tarde, fomos informado pelos médicos que nossa Carmenzita necessitava de um transplante de coração, pois do contrário ela só teria mais vinte dias de vida.
- UM CORAÇÃO! ONDE CONSEGUIR UM CORAÇÃO? UM CORAÇÃO! ONDE?
Nesse mesmo mês, Carmenzita completaria seus quinze anos. E foi numa sexta-feira a tarde quando conseguiram um doador. Foi operada e tudo saiu bem.
Carmenzita permaneceu no hospital por quinze dias e em nenhuma só vez seu papi foi visitá-la. Todavia, os médicos lhe deram alta e ela foi para sua casa.
Ao chegar em casa Carmenzita com ansiedade gritou:
- Papi! Papi!... Onde tu estás?
Eu sai do quarto com os olhos molhados de lágrimas e disse-lhe:
- Aquí está uma carta que seu papi deixou para você.

"Carmenzita, filhinha do meu coração: No momento em que ler minha carta, já deve ter quinze anos e um coração forte batendo em teu peito, essa foi a promessa que me fizeram os médicos que te operaram. Não pode imaginar nem remotamente quanto lamento não estar a teu lado neste instante.
Quando soube que morrerias, decidí dar-te a resposta da pergunta que me fizestes quando tinhas sete aninhos e a qual não respondi. Decidi dar-te o presente mais bonito que ninguém jamais faria por minha filha... Te dou de presente minha vida inteira sem nenhuma condição, para que faças com ela o que queiras. Vive filha!! Te amo com todo meu coração!!

Carmenzita chorou por todo o dia e toda a noite. No dia seguinte foi ao cemitério e se sentou sobre a tumba de seu papi; chorou tanto como ninguém poderia chorar.
E sussurrou: "Papi, agora posso compreender quanto me amavas eu também te amava e ainda que nunca tenha dito, agora compreendo a importância de dizer-te "Te Amo" e te pediria perdão por haver guardado silêncio tantas vezes".

Nesse instante as copas das árvores balançavam suavemente, cairam algumas folhas e florzinhas, e uma suave brisa roçou a face de Carmenzita, olhou para o céu, tentou enxugar as lágrimas de seu rosto, se levantou e voltou para casa.

Por favor nunca deixes de dizer: "TE AMO". Não sabes se esta será a última vez...

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